Portugal tem, incontornavelmente, uma enorme comunidade de imigrantes. De acordo com dados do PORDATA, em 2016, as comunidades com mais presença em Portugal são naturais do Brasil (79.569 mil), Cabo-Verde (36.193 mil), Ucrânia (34.428 mil), Roménia (30.429 mil) e China (21.953).

As mulheres imigrantes são comumente consideradas “as minorias das minorias”, no sentido em que, ao serem mulheres e ao viverem num país que não o seu, se encontram numa situação mais irregular e inconstante. Como agravante a este cenário, estas mulheres são ainda, não raras as vezes, confrontadas com preconceitos ou obstáculos, seja em termos legais, culturais, económicos, hospitalares, escolares, sociais entre outros.

A nível social, por exemplo, no livro Imigração e Etnicidade – Vivências e Trajectórias de Mulheres em Portugal (2015) Clara Almeida Santos analisa 210 peças de impressa portuguesa em oitos jornais nacionais e percebe que prostituição (124 peças), clandestinidade (50 peças) e crime (26) são os temas associado à comunidade de mulheres imigrantes.

Longe destes estereótipos, pretendemos que as mulheres imigrantes surjam associadas a uma imagem de enaltecimento feminino. Assim, nasce a campanha de sensibilização Traduz-te Em Força. O principal objectivo é transmitir uma mensagem de força às mulheres imigrantes, de levantamento espiritual, que lhes cause um sentimento de conforto e identificação. Acima de tudo – e tendo em consideração a visão estereotipada que estas mulheres enfrentam – queremos que esta campanha sirva como um impulso para uma atitude emancipada que as faça enfrentar todas as dificuldades inerentes ao facto de serem mulheres e imigrantes. Ao mesmo tempo, pretendemos que esta campanha sensibilize todas e todos os portugueses para esta temática, a fim de estimular uma sociedade com menos clivagens sociais e mais harmoniosa a nível multicultural.