Xiaomi em Análise: As Promessas do Novo Civi 3 e os Desafios Térmicos do Xiaomi 17

A Xiaomi continua a expandir o seu portefólio a um ritmo alucinante, equilibrando a apresentação de novos modelos com o desempenho real dos seus dispositivos no mercado. A marca agendou a revelação oficial do Xiaomi Civi 3 para o dia 25 de maio, mas não conseguiu guardar segredo até ao fim. Através das redes sociais, a gigante tecnológica antecipou algumas das características mais robustas deste terminal, mostrando que a ambição da empresa não tem limites.

O Poder de Fogo do Novo Civi 3

Fica claro que a aposta da marca passa por atrair os utilizadores mais exigentes. O Civi 3 oferecerá uma variante de topo equipada com 16 GB de memória RAM LPDDR5 e uns impressionantes 1 TB de armazenamento UFS 3.1. Naturalmente, haverá opções mais contidas no momento do lançamento, com rumores a apontar para versões de 8 ou 12 GB de RAM acopladas a 256 GB de memória interna.

A alimentar este conjunto estará uma bateria de 4500 mAh. O processamento de dados ficará a cargo do Dimensity 8200-Ultra, tornando este telemóvel no modelo escolhido para a estreia do mais recente chip da MediaTek. A componente visual não foi descurada, esperando-se um ecrã OLED de 6,55 polegadas com taxa de atualização de 120 Hz e resolução Full-HD+. Para a fotografia, a traseira será liderada por um sensor Sony IMX800 de 50 MP, enquanto a parte frontal abrigará uma câmara dupla de 32 MP, desenhada especificamente a pensar nos fãs de selfies.

A Ergonomia e o Ecrã do Xiaomi 17

Se, por um lado, a marca gera enormes expectativas com novos lançamentos, a experiência prática com modelos recentes mostra que existem aspetos cruciais a necessitar de atenção. O novo Xiaomi 17 é o exemplo perfeito dessa dualidade. Pela primeira vez após anos a utilizar o ecossistema da empresa, desde os excelentes smartwatches à surpreendente linha base do Xiaomi 15, o sentimento gerado por este dispositivo foi de alguma desilusão. No papel, a ficha técnica roça a perfeição. A prática, no entanto, revelou alguns obstáculos inesperados.

O grande atrativo desta versão base é o seu formato. Com a versão Ultra a atingir umas massivas 6,9 polegadas, o Xiaomi 17 normal aposta num ecrã CrystalRes OLED de 6,3 polegadas e dimensões extremamente ergonómicas de 151,1 x 71,8 x 8,1 mm. É o tamanho ideal para quem procura operar o telemóvel com apenas uma mão. O painel apresenta margens ínfimas de 1,18 mm e oferece um brilho excelente sob luz solar, embora as cenas mais escuras em conteúdos multimédia possam ser algo difíceis de distinguir.

Desempenho de Topo, Mas a Que Preço?

O desempenho puro não é um problema neste equipamento. Toda a série está equipada com o poderoso processador Snapdragon 8 Elite Gen 5, o que garante uma navegação fluida e rápida entre aplicações. Surpreendentemente, o dispositivo até consegue correr jogos exigentes a 60 FPS consistentes, mesmo com as definições gráficas e texturas no máximo.

O verdadeiro problema deste telemóvel reside na sua gestão térmica. Tarefas quotidianas provocam um aquecimento excessivo e difícil de justificar. Gravar vídeos durante quinze minutos ou jogar faz com que o aparelho fique bastante morno. Mais preocupante ainda, utilizar o sistema Android Auto enquanto se navega pelas redes sociais eleva a temperatura a níveis desconfortáveis. Com apenas algumas semanas de uso, esta tendência levanta dúvidas sérias sobre a durabilidade dos componentes internos a longo prazo.

É um cenário infeliz, até porque o departamento fotográfico é absolutamente irrepreensível. A Xiaomi decidiu equipar o modelo com sensores de 50 MP em todas as lentes, abrangendo a grande angular, a telefoto, a ultrawide e a própria câmara frontal. Comparado com rivais diretos que insistem em manter câmaras frontais de 12 MP nos seus topos de gama, como acontece na série S26, a Xiaomi domina por completo este segmento da fotografia móvel, provando que consegue oferecer qualidade premium mesmo nos modelos de entrada de gama.

O Mar à Mesa: Da Açorda Portuguesa ao Clássico de Nova Orleães

O marisco tem o dom de nos transportar pelas mais diversas geografias, e hoje propomos uma viagem jornalística que cruza as águas atlânticas de Portugal com a riqueza histórica do sul dos Estados Unidos. Por um lado, mergulhamos nos sabores reconfortantes de uma autêntica açorda, assinada por um dos nomes mais sonantes da nossa praça. Por outro, viajamos no tempo até 1899 para redescobrir um ícone da culinária de Nova Orleães, reinventado com o toque inconfundível do chef Emeril Lagasse.

O Culminar das “Receitas da Minha Vida”

O jornal Expresso tem vindo a presentear os seus leitores com uma verdadeira ode à gastronomia nacional. Trata-se de uma coleção de quatro guias, desenvolvida com o apoio dos Vinhos de Lisboa e do Recheio, onde oito prestigiados chefs partilham as suas criações mais íntimas. A viagem começou a 11 de novembro com Noélia Jerónimo e Vítor Sobral, seguindo-se Michele Marques e João Rodrigues no dia 18, e Justa Nobre com Henrique Sá Pessoa a 25 do mesmo mês.

Para encerrar esta iniciativa em beleza, a 2 de dezembro, Marlene Vieira juntou-se a Miguel Rocha Vieira. E é precisamente de Rocha Vieira, atualmente a liderar três quiosques na Doca da Marinha, em Lisboa, e com novos projetos na calha, que nos chega uma proposta irrecusável que eleva os ingredientes da nossa costa.

Açorda de Camarão e Berbigão

Rocha Vieira propõe-nos uma açorda rica, pensada para quatro pessoas e que, surpreendentemente, se prepara em apenas 20 minutos. A base é o pão, cerca de 60 gramas, que deve ser previamente demolhado até atingir uma textura macia. O segredo, porém, reside na paciência dedicada aos caldos. A preparação arranca com uma compota de cebola: 80 gramas de cebola picada, azeite, uma folha de louro e um toque de vinho branco, que cozinham lentamente num tacho durante dez minutos.

A este refogado junta-se o pão escorrido e um caldo de camarão fundamental. O chef aconselha que este caldo seja preparado na véspera. Faz-se fervendo cabeças e cascas de 250 gramas de camarão, cebola, cenoura, alho-francês, concentrado de tomate e, para um aroma distinto, um fio de brandy Constantino. Depois de apurado, o caldo deve ser bem coado para eliminar qualquer resíduo.

Quando o pão ganha corpo e atinge a consistência desejada, entram 120 gramas de camarão da costa e 100 gramas de miolo de berbigão. Apaga-se o lume. O calor residual trata de cozinhar o marisco no ponto exato, mantendo-o tenro. Para rematar, o prato é refrescado com sumo de lima a gosto, coentros frescos picados e finalizado com uma gema de ovo crua, subtilmente temperada com flor de sal.

A Riqueza Americana: Ostras Rockefeller

Cruzando o oceano, deparamo-nos com as célebres Ostras Rockefeller. Nascidas no emblemático Antoine’s Restaurant, em Nova Orleães, pela imaginação de Jules Alciatore, surgiram por uma mera necessidade local. No final do século XIX, faltavam caracóis na despensa, pelo que Alciatore decidiu usar as ostras abundantes na região. O molho que criou era tão rico, carregado de manteiga e ervas, que logo o batizaram em homenagem a John D. Rockefeller, o homem mais rico do mundo na altura.

Embora a receita original permaneça um segredo bem guardado, Emeril Lagasse traz-nos uma versão contemporânea para seis pessoas. O seu trunfo é o Herbsaint, um licor de anis criado nos anos 30 como substituto do absinto. Na falta dele, é possível usar pastis, Pernod ou Absinthe Verte. Para quem prefere uma versão sem álcool, meia colher de chá de sementes de funcho esmagadas com um pouco de sumo de limão cumprem bem a função.

Preparar o Ícone de Nova Orleães

A tradição dita que as ostras sejam assadas sobre uma cama de sal grosso. Comece por pré-aquecer o forno a 200°C e espalhe o sal num tabuleiro. Depois de abrir duas dúzias e meia de ostras, retire o miolo e reserve cuidadosamente a água que estas libertam. Se o líquido não for suficiente, o chef sugere compensar com caldo de amêijoa engarrafado. Lave as conchas inferiores e assente-as sobre o sal para que não tombem.

O molho verde característico constrói-se por camadas. Salteie um bom molho de espinafres sem talos num pouco de manteiga, apenas até murcharem, mantendo o verde vivo. Pique-os finamente e reserve. Na mesma frigideira limpa, derreta mais manteiga e refogue cebola picada, aipo, alho e uma colher de chá de pasta de anchovas. Este refogado atinge o ponto ao fim de cinco minutos. Adiciona-se então cebolo, salsa fresca, sal e pimenta negra.

É nesta fase que a magia acontece: junta-se o espinafre, a água reservada das ostras, o licor de anis e um terço de uma chávena de bolachas salgadas amanteigadas trituradas, tipo Ritz. Coloca-se cada ostra crua na sua concha, cobrindo-a com uma colher generosa deste preparado. Polvilhe com o resto da bolacha triturada e um toque de queijo Parmesão ralado.

As ostras vão ao forno entre 12 a 15 minutos. Quando as bordas do marisco começarem a encaracolar e o topo estiver dourado e estaladiço, estão prontas a servir. Para elevar ainda mais a experiência, um copo de Sauvignon Blanc cítrico e fresco será a companhia ideal.